segunda-feira, 6 de setembro de 2010

(para os evangélicos) Decálogo do voto ético

I. O voto é intransferível e inegociável. Com ele o cristão expressa sua consciência como cidadão.

Por isso, o voto precisa refletir a compreensão que o cristão tem de seu País, Estado e Município;

I I. O cristão não deve violar a sua consciência política. Ele não deve negar sua maneira de ver a

realidade social, mesmo que um líder da igreja tente conduzir o voto da comunidade noutra

direção;

I I I. Os pastores e líderes têm obrigação de orientar os fiéis sobre como votar com ética e com

discernimento. No entanto, a bem de sua credibilidade, o pastor evitará transformar o processo

de elucidação política num projeto de manipulação e indução político-partidário;

IV. Os líderes evangélicos devem ser lúcidos e democráticos. Portanto, melhor do que indicar em

quem a comunidade deve votar é organizar debates multipartidários, nos quais, simultânea ou

alternadamente, representantes das correntes partidárias possam ser ouvidos sem preconceitos;

V. A diversidade social, econômica e ideológica que caracteriza a igreja evangélica no Brasil

impõe que não sejam conduzidos processos de apoio a candidatos ou partidos dentro da igreja,

sob pena de constranger os eleitores (o que é criminoso) e de dividir a comunidade;

VI. Nenhum cristão deve se sentir obrigado a votar em um candidato pelo simples fato de ele se

confessar cristão evangélico. Antes disso, os evangélicos devem discernir se os candidatos ditos

cristãos são pessoas lúcidas e comprometidos com as causas de justiça e da verdade. E mais: é

fundamental que o candidato evangélico queira se eleger para propósitos maiores do que apenas

defender os interesses imediatos de um grupo religioso ou de uma denominação evangélica. É

óbvio que a igreja tem interesses que passam também pela dimensão político-institucional.

Todavia, é mesquinho e pequeno demais pretender eleger alguém apenas para defender

interesses restritos às causas temporais da igreja. Um político de fé evangélica tem que ser,

sobretudo, um evangélico na política e não apenas um "despachante" de igrejas. Ao defender os

direitos universais do homem, a democracia, o estado leigo, entre outras conquistas, o cristão

estará defendendo a Igreja.

VII. Os fins não justificam os meios. Portanto, o eleitor cristão não deve jamais aceitar a desculpa

de que um evangélico político votou de determinada maneira porque obteve a promessa de que,

em assim fazendo, conseguiria alguns benefícios para a igreja, sejam rádios, concessões de TV,

terrenos para templos, linhas de crédito bancário, propriedades, tratamento especial perante a

lei ou outros "trocos", ainda que menores. Conquanto todos assumamos que nos bastidores da

política haja acordos e composições de interesse, não se pode, entretanto, admitir que tais

"acertos" impliquem na prostituição da consciência cristã, mesmo que a "recompensa" seja,

aparentemente, muito boa para a expansão da causa evangélica. Jesus Cristo não aceitou

ganhar os "reinos deste mundo" por quaisquer meios, Ele preferiu o caminho da cruz.

VIII. Os votos para Presidente da República e para cargos majoritários devem, sobretudo, basearse

em programas de governo, e no conjunto das forças partidárias por detrás de tais

candidaturas que, no Brasil, são, em extremo, determinantes; não em função de "boatos" do

tipo: "O candidato tal é ateu"; ou: "O fulano vai fechar as igrejas"; ou: "O sicrano não vai dar

nada para os evangélicos"; ou ainda: "O beltrano é bom porque dará muito para os evangélicos".

É bom saber que a Constituição do país não dá a quem quer que seja o poder de limitar a

liberdade religiosa de qualquer grupo. Além disso, é válido observar que aqueles que espalham

tais boatos, quase sempre, têm a intenção de induzir os votos dos eleitores assustados e

impressionados, na direção de um candidato com o qual estejam comprometidos.

IX. Sempre que um eleitor evangélico estiver diante de um impasse do tipo: "o candidato

evangélico é ótimo, mas seu partido não é o que eu gosto", é compreensível que dê um "voto de

confiança" a esse irmão na fé, desde que ele tenha as qualificações para o cargo. Entretanto, é

de bom alvitre considerar que ninguém atua sozinho, por melhor que seja o irmão, em questão,

ele dificilmente transcenderá a agremiação política de que é membro, ou as forças políticas que

o apoiem.

X. Nenhum eleitor evangélico deve se sentir culpado por ter opinião política diferente da de seu

pastor ou líder espiritual. O pastor deve ser obedecido em tudo aquilo que ensina sobre a Palavra

de Deus, de acordo com ela. No entanto, no âmbito político-partidário, a opinião do pastor deve

ser ouvida apenas como a palavra de um cidadão, e não como uma profecia divina.

- Aliança Evangélica Brasileira -

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